Simpósio sobre herança africana une culturas brasileira e portuguesa

 

Influência e ancestralidade africana, esses foram os elos que uniram representantes do Cante Alentejano de Portugal, da Capoeira, e das Baianas de Acarajé durante o Simpósio Internacional Patrimônios Imateriais do Alentejo à Bahia, que aconteceu entre os dia 5 e 8 de baril, no Espaço Cultural da Barroquinha, no Centro Histórico de Salvador.

“É muito simbólico o encontro de três grupos separados pelo Oceano Atlântico, mas unidos por uma história de luta, resistência pela terra, pela territorialidade, e pela manutenção de nossas raízes e nossas tradições”, destacou a coordenadora do Centro de Estudos em Etnicidade, Movimentos Sociais e Educação (Opará) da UNEB, Floriza Sena, uma das realizadoras do evento. O simpósio, que reuniu pesquisadores, professores e estudantes da UNEB, além de grupos culturais do Brasil e de Portugal, foi coordenado pelo professor da universidade Feliciano de Mira, que ministrou uma palestra sobre as influências africanas na origem do Cante Alentejano.

Segundo o professor Feliciano seria um contrassenso afirmar que o Cante Alentejano é uma manifestação originada do processo de popularização dos cantos religiosos da igreja católica.

“Se nós cruzarmos a história sociopolítica da colonização portuguesa, dando a devida importância aos aspectos culturais e antropológicos dos povos africanos, vamos encontrar semelhanças e simbioses no processo de origem do Cante” destacou o professor português. Entre os destaques da programação do evento figurou o Painel As Influências Africanas no Cante Alentejano, Capoeira e Baiana de Acarajé, que aconteceu na tarde do dia 6 de abril. A atividade foi mediada pelo professor e coordenador do Grupo de Pesquisa em Ecologia Humana da UNEB, Juracy Marques, e contou coma participação do professor Feliciano, do mestre de capoeira Ciborg e da coordenadora da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (ABAM), Rita Santos.

Para Rita, o intercâmbio cultural realizado a partir do simpósio representou um aprendizado importante para os membros da ABAM. 

“Participar deste tipo de iniciativa nos garante um aprendizado sobre as políticas públicas referentes a patrimônios imateriais da humanidade e nos serve como exemplo para que nós também possamos implementar as nossas aqui” explicou coordenadora.

O mestre de capoeira Cyborg, líder do grupo de Cadência de Jogar, formado por jovens e adolescentes de comunidades carentes de Salvador, destacou a importância de garantir espaços que valorizem a capoeira.

“É muito gratificante ver a capoeira, antes rechaçada pela sociedade, ganhando espaço na academia e tematizando eventos dessa grandiosidade. Além disso, o contato com outras experiências de vida, outras culturais oportunizadas por essa iniciativa são de grande valia para a formação do indivíduo, sobretudo para os jovens que fazem parte do meu projeto” frisou Cyborg.

Extensa programação

A programação do evento contou ainda com debates, exposição de vinhos e queijos alentejanos provenientes da região de Serpa, em Portugal, além de lançamento de livros e CDs e apresentações culturais no Pelourinho e no Espaço Cultural da Barroquinha.

Destaque para a participação do grupo Os Camponeses de Pias que apresentaram músicas típicas do Cante Alentejano, mostrando sua cultura em forma de canção e interpretação de personagens. A Yalorixá Lúcia de Angorô, da Tenda de Gentil das Matas, e o presidente da Câmara Municipal de Serpa, em Portugal, Tomé Pires, também prestigiaram o evento.

O simpósio é realizado pelo Centro de Estudos em Etnicidade, Movimentos Sociais e Educação (Opará), em parceria com o Grupo de Pesquisa em Socioeconomia do Desenvolvimento Sustentável (GPsedes) do Campus VIII, em Paulo Afonso. E conta com o apoio da Prefeitura de Salvador, da Fundação Gregório de Matos, da Câmara Municipal de Serpa (Alentejo – Portugal), além da Pró-reitoria de Extensão (Proex) e Secretaria Especial de Relações Internacionais (Serint), ambas da UNEB.

Fotos: Cindi Rios e Juliana Cardoso/Ascom

Fonte: Uneb.br

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