AÇÃO SABERES INDÍGENAS NAS ESCOLAS

O Programa Saberes Indígenas na Escola é um projeto criado em todo Brasil pela SECADI/MEC que busca promover a formação continuada de professores da educação escolar indígena, especialmente daqueles que atuam nos anos iniciais da educação básica nas escolas indígenas; oferecer recursos didáticos e pedagógicos que atendam às especificidades da organização comunitária, do multilinguismo e da interculturalidade que fundamentam os projetos educativos nas comunidades indígenas; oferecer subsídios à elaboração de currículos, definição  de  metodologias  e processos de avaliação que atendam às especificidades dos processos de letramento, numeramento e conhecimentos dos povos indígenas; fomentar pesquisas que resultem na elaboração de materiais didáticos e paradidáticos em diversas linguagens, bilíngues e monolíngues, conforme a situação sociolinguística e de acordo com as especificidades da educação escolar indígena.

No Estado da Bahia é coordenado pela UNEB através do OPARÁ em parceria com o Instituto Federal de Educação – IFBA de Porto Seguro e a Coordenação de Educação Indígena da Secretaria de Educação do estado da Bahia, além das Coordenações das Diretorias Regionais de Educação. Acompanha a formação 12 povos indígenas: Atikum, Kaimbé, Kantaruré, Kiriri, Pankararé, Pataxó, Pataxó Hã-hã-hãe, Truká, Tumbalalá, Tupinambá, Tuxá, Xucuru-Kariri, totalizando mais de 542 professores indígenas com um alcance médio de 2000 alunos das primeiras séries do I ciclo do Ensino Fundamental.

OBJETIVO GERAL

  • Consiste em construir uma práxis mediadora entre saberes indígenas e construção de estratégias e procedimentos para os usos simbólicos, políticos, culturais que a prática linguística escolar supõe garantir. Para tanto, é urgente a criação de metodologias que textualizem e proporcionem compreender os movimentos desses atores no seu processo de produção de conhecimento sobre si/outro nos espaços sociais pelos quais transitam.

JUSTIFICATIVA

A ação ‘Saberes Indígenas na Escola’ do Território Etnoeducacional Yby Yara esta composta pela Universidade do Estado da Bahia e pelo Instituto Federal da Bahia de Porto Seguro. A UNEB atenderá aos Povos do norte e oeste do estado, esta ação objetiva promover formação continuada de professores/pesquisadores e a produção de material didático, com foco nas práticas de alfabetização, letramento e numeramento nas séries iniciais, analisando e discutindo os usos da(s)  língua(s) dos professores e estudantes indígenas, a partir dos seguintes eixos: 

  • I. Letramento em Língua Portuguesa como primeira língua;

  • II. Documentação da memória e revitalização de línguas indígenas (a exemplo do que já realizam os Pataxó e Kiriri) e os seus usos nos processos de letramento/numeramento;

  • III. Conhecimentos indígenas e artes verbais.

Essa rede se articula no sentido da elaboração e implementação de práxis metodológicas para o ensino da língua portuguesa como primeira língua (e da língua indígena como segunda língua no caso específico do Povo Pataxó e Kiriri) para as séries iniciais dos povos pertencentes ao território etnoeducacional Yby Yara. A elaboração e o desenvolvimento dessas práxis problematizará as concepções de língua, língua materna, língua portuguesa e língua indígena, quando nos referimos a situação dos  povos indígenas da Bahia e do Nordeste, sob os quais ainda recai o peso de uma identidade de  “povos sem língua”, “aculturados”, “misturados”, quando não totalmente “sem”: sem território, sem língua, sem contrastividade cultural (Oliveira, 1999). 

 

Presos a essa circunstância histórica, esses povos vêm construindo respostas, no sentido de afirmar a sua etnicidade e o seu patrimônio histórico, linguístico e cultural, principalmente no âmbito da luta por uma educação escolar diferenciada, intercultural e multilíngue. A produção do material didático específico e a produção de uma cartografia dos letramentos desses povos no território Yby Yara  fará com que essas respostas possam sair dos documentos oficiais para oxigenar tanto o imaginário coletivo em torno da ideia do “índio no Brasil”, quando o trabalho  de ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa  dentro/fora dos muros das escolas indígenas.

 

Desse modo atendemos em 2014 onze povos e 260 professores cursistas, em 2015 estamos ampliando para 14 Povos  e 639 professores indígenas cursistas e tutores/orientadores, que fazem parte do TEE YbyYara, cujos docentes indígenas já se encontram em processo de formação continuada organizado pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

 

Considerando a necessidade de uma ação que integre as diversas experiências de comunidades escolares para implementação da política dos territórios etnoeducacionais, principalmente no que se refere à especificidade dos saberes linguístico das comunidades indígenas é de fundamental importância colocar no centro dessa ação as práticas de letramento/numeramento vivenciadas por professores e estudantes nas escolas indígenas para refletir sobre elas, documentá-las e produzir materiais de apoio à prática pedagógica.