O LITORAL VAI AO SERTÃO... RIO E MAR SE ENCONTRARAM PROMOVENDO INTEGRAÇÂO E CONHECIMENTO ENTRE OS CURSOS DA UNEB

PEDAGOGIA CAMPUS VIII E CIÊNCIAS SOCIAIS CAMPUS I

Por: Diana Barros Nascimento - Discente de Ciências Sociais Campus I Salvador

         e Denise Oliveira - Estudante de Pedagogia  - Campus VIII Paulo Afonso

A aula de campo que ocorreu entre os dias 15 a 18 de junho de 2017 em Paulo Afonso – BA, Canindé do São Francisco – SE e Piranhas – AL, integrou docentes e discentes de Pedagogia, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado da Bahia - Campus I e VIII  - Salvador - Paulo Afonso -. A atividade interdisciplinar e interdepartamental fez parte do plano de trabalho dos componentes curriculares Antropologia Brasileira, Sociologia da Educação, Educação Indígena e Educação do Campo, ministradas respectivamente pelas professoras Floriza Sena colaboradora no Campus I e Elilia Camargo, ambas lotadas no Campus VIII em Paulo Afonso.

Também participaram da aula de campo os coordenadores dos Colegiados de cursos: Marcos Martins – Ciências Sociais/Campus I e Vinicius Santos – Pedagogia do Campus VIII; a secretária do Colegiado de Ciências Sociais Flávia Alves; os professores Jacques Fernandes, Floriza Sena, Elilia Camargo, Dorival Oliveira, Márcia Cristiane do Campus de Paulo Afonso, além da colaboração imprescindível e constante das pesquisadoras de Iniciação Científica do Centro de Pesquisas em Etnicidades, Movimentos Sociais e Educação – OPARÁ/UNEB: Tatiane Bomfim, Denise Oliveira, Jéssica Caroline, Whevenny Pereira; Patricia Pankararé, Sandro Tuxá, a assessoria de imprensa do OPARÁ Bruna Cordeiro, Rafael Luz e a secretária Helena Nunes.

 

Os três dias de atividades teve por objetivo reforçar e contextualizar as leituras dos clássicos do pensamento antropológico no Brasil e as produções cientificas em torno das relações étnico-raciais; levar estas reflexões antropológicas relacionados aos negros e aos Povos indígenas para fora das salas de aulas refutando modelos engessados de produzir e trocar saberes dentro dos muros das instituições enriquecendo ainda mais o processo de aprendizagem realizado no decorrer do semestre.

O contato direto com o cotidiano e o comprometimento com o mesmo contribui de forma significativa para a descolonização do pensamento e o combate as desigualdades que tanto foram acentuadas durante esta vivencia e assim repensada durante as rodas de conversas sobre a educação escolar indígena que ocorreu no próprio chão da aldeia do Povo Pankararé, dialogando com os professores indígenas;  as abordagens que reforçam um imaginário preconceituoso sobre o sertanejo e o sertão na perspectiva euclidiana; a desmistificação de estereótipos ligados aos povo sertanejo e ao interior do Bahia; os impactos negativos dos projetos desenvolvimentistas do Estado nas aldeias indígenas especialmente do Povo Tuxá, Truká, Tumbalalá, executados com o auxilio das pesquisas

cientificas, cujos desdobramentos possibilitaram repensar e analisar o papel da ciência, de qual forma ela vem servindo aos interesses particulares e como ela pode e/ou vem contribuindo nas demandas sociais mais emergentes das lutas fundiárias dos povos nativos e comunidades tradicionais. A visita ao museu de Arqueologia de Xingó em Sergipe mostrou a experiência de uma museologia preocupada com outras configurações e inovações metodológicas na perspectiva de se revisitar o passado através do tato além de conhecer como viviam os primeiros habitantes do sertão.

 

O Museu do Cangaço em Piranhas no Estado de Alagoas levou os discentes a um mergulho na história cultural e de resistência do povo sertanejo, assim como ajudou identificar práticas relacionadas ao racismo científico defendido por autores que sustentam a inferioridade racial do mestiço, quando foi identificada no museu que as cabeças dos lideres do cangaço, Lampião e Maria Bonita foram enviadas para estudos no Instituto Nina Rodrigues.  Este novo olhar ajuda na desconstrução da ideia do sertão como lugar feio e sem vida produto da ciência positivista de Euclides da Cunha. O que se percebe de fato é que os projetos desenvolvimentistas desenfreados e sem dialogo com as populações nativas vem trazendo a  destruição do meio ambiente e seu povo desde a construção das primeiras ferrovias em Piranhas, passando pelas hidroelétricas até a especulação imobiliária nos dias atuais.

Neste sentido a visita ao acampamento dos Kariri-Xocó no domingo pela manhã foi mais um choque de realidade e por outro lado de confirmação de estudos realizados em sala de aula tanto em antropologia quanto em educação indígena. Este Povo está acampado em condições sub-humanas em uma escola abandonada de Paulo Afonso, depois da justiça ter autorizado a expulsão do território de forma coercitiva e truculenta, destruindo suas plantações, casas, móveis, e espaços sagrados. Levamos mantimentos e roupas para ajudar, porém o cacique agradeceu a ajuda que era bem vinda naquela situação, mas falava que precisam da terra que traz dignidade para o índio trabalhar, tirar o seu próprio sustento e se conectar com os Seres Encantados. Esta visita fechou a aula de campo comprovando que o processo de genocídio dos povos indígenas iniciado no período colonial e estudado pelos clássicos da antropologia brasileira permanece até os dias atuais. A situação dos indígenas no Brasil e especialmente na região visitada só atesta que o modelo capitalista, excludente, especulador, agroexportador que entrou no Brasil há 500 anos continua cumprindo sua função de produzir lucro e concentração de riquezas não respeitando nem o ser humano nem a terra!

Enfim e nossa aula de campo até mesmo nos trajetos de ônibus foram repletos de explanações e orientações histórico-geográficas de Paulo Afonso e adjacências, compondo os significados culturais e os sentidos a eles direcionados, sinalizando a importância de experiências como estas reunindo a teoria e pratica como fundamental para o exercício e formação profissional, especialmente do pedagogo e do cientista social. Esta rica experiência culminou numa tarde de domingo com uma festa regada a feijoada e carne de bode assada à beira do Rio São Francisco debaixo da chuva que é Sagrada para o sertanejo. Naquele momento a natureza agradecia o maravilhoso encontro do Mar com o Rio!

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