Formação nas Aldeias

Nem bem começou 2017 e lá estava a equipe da Ação Saberes Indígenas na Escola da Rede YbyYara norte/oeste, nos dias 03 a 05 de janeiro reunidos na UNEB para estudo das temáticas a serem abordadas nas formações do referido ano...

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PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO

Paralelo a formação aconteceu à reunião dos Pesquisadores para construção de referencial para as próximas produções do material didático diferenciado. Diante do exposto, a coordenadora Anny Carneiro deu os seguintes encaminhamentos:

 

Prezados e Prezadas,

Aceitamos junto esse desafio de construir material didático para subsidiar a prática pedagógica nas unidades escolares indígenas. É com muita alegria que faço parte desse grupo de professores militantes que se orgulham em trabalhar muito por uma educação indígena de qualidade.

 

O desafio no momento é construir orientações pedagógicas! Consideramos na última reunião, com base nas experiências anteriores que é necessário a consolidação de uma equipe que trabalhe na construção de todas as orientações didáticas que serão apresentadas aos orientadores de estudos e professores alfabetizadores para a construção das atividades para os alunos e desta forma, poder qualificar o material que vem sendo elaborado.

 

Na oportunidade, foi discutido: a necessidade de elaborar material voltados a alfabetização intercultural, com atividades, sequências didáticas e a aplicação das mesmas nas áreas de linguagem e numeramento; que os livros de contos também devem propor sequências didáticas; é preciso produzir um caderno de orientações pedagógicas (objetivo da aprendizagem, habilidades, competências e conteúdo) e atividades, bem como o objetivo do professor ao desenvolvê-la; e para concretizar essa construção, precisamos iniciar por um planejamento definindo prazos e principalmente os eixos temáticos para o caderno de  orientações didáticas. As orientações didáticas devem levar em consideração os Eixos e os aspectos da Vida Cidadã definidos na Matriz Curricular da Educação Indígena, Diretrizes Nacionais da Educação indígena, RCNEI, as orientações especifica do Programa  Ação Saberes Indígenas e principalmente a realidade contexto das escolas indígenas.

 

Para tanto, precisamos construir um planejamento que nos ajude a compreender o que queremos verdadeiramente com esse trabalho. Definindo objetivos, justificativa/finalidade, público, método, cronograma.

OBSERVAÇÕES:

  • Todos os grupos irão trabalhar os seguintes eixos: Auto sustentação e Terra e conservação da biodiversidade.

  • Todas as orientações necessárias para o professor devem ser apresentadas nesses instrumentos.

  • Tudo precisa ficar pronto, revisado e alinhado para o final maio – formação;

  • Vamos precisar de um turno para a próxima formação;

  • Precisamos que a coordenação dos Saberes alinhe essa ação com os formadores para evitar desencontros e solicitações diversas de atividades;

  • 1º Encontro para elaboração da proposta e instrumentos: 06 e 07 de maio. Entrega da Primeira versão 08/05;

     Encontro da Equipe Formadora da Ação Saberes Indígenas na Escola em                                                                Janeiro de 2017                                                                                            

 

Por: Jucimar Pereira

17/04/2017

 

Nem bem começou 2017 e lá estava a equipe da Ação Saberes Indígenas na Escola da Rede YbyYara norte/oeste, nos dias 03 a 05 de janeiro reunidos na UNEB para estudo das temáticas a serem abordadas nas formações do referido ano. Mediado pela professora Dra. Maria do Socorro Pimentel Silva, Doutora em Linguística Aplicada ao Ensino das Línguas, Coordenadora da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal de Goiás – UFG.

 

O Seminário debateu sobre as Bases de Fundamentação Epistemológica, Pedagógica e Política da Educação Escolar Indígena; Alfabetização na Perspectiva da Educação Escolar Indígena; Material Didático diferenciado, contextualizado e referenciado pelos Povos Indígenas; Projeto Político Pedagógico na Educação Escolar Indígena. Participaram do evento 48 indígenas representando os Povos: kiriri, Tuxá, Pankararé, Xucuru kariri, Tumbalalá, Truká, Funió, kantaruré, Kaimbé  e outros convidados não indígenas da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, do Núcleo Regional de Educação e pesquisadores do Centro de Etnicidades Movimentos Sociais e Educação – OPARÁ-UNEB.

 

A avaliação que os/as participantes fizeram do Seminário foi muito positiva, pois além da qualidade de excelência das atividades desenvolvidas pela Prof. Maria do Socorro, foi um momento ímpar na troca de experiências, fortalecimento das práticas desenvolvidas pelos/as participantes nas escolas indígenas do Norte e Oeste da Bahia, novos olhares e perspectivas a partir de uma educação escolar indígena descolonizadora e intercultural crítica.

Fotos Ascom Opará - UNEB/Paulo Afonso-BA

No mês do Abril Indígena a Ação Saberes Indígenas nas Escolas trabalha a temática Alfabetização na Perspectiva do Letramento Indígena

 

Por: Jucimar Pereira  17/04/2017

 

O quarto encontro dos Saberes Indígenas deste ano realizou-se na UNEB (Universidade do Estado da Bahia) – DEDC Campus VIII no período de 20 a 21 de Abril, a equipe facilitadora foi composta por Adalgiza Kaimbé, Jucimar Pereira e Telma Cruz. Este módulo teve como objetivo refletir sobre o processo de alfabetização na perspectiva do letramento indígena, considerando a educação diferenciada, pertinência pedagógica, tradição cultural e diversidade lingüística dos professores das escolas indígenas das diversas etnias. Esta reflexão nos remete a empreendermos esforços para desenvolver ações que de fato causem impacto positivo no cotidiano da sala de aula, fortalecendo assim a educação indígena diferenciada, na perspectiva de que os saberes e conhecimentos construídos e reconstruídos por cada Povo Indígena, seja, valorizado, partilhado e vivenciado em diálogo com saberes e conhecimentos dos outros povos indígenas e não indígenas.

 

Historicamente, desde a década de 1970 do século XX, a reivindicação dos povos indígenas do Brasil, e conseqüentemente da Bahia, por uma educação específica, diferenciada, comunitária, bilíngüe e intercultural, através do Movimento Indígena, nos remete a revistarmos o processo histórico e percebermos que se avançou e o que necessita de uma ação mais incisiva por parte das professoras e professores indígenas e suas comunidades, para garantir o que de fato vem reivindicando ao longo de todos esses anos.

 

É imprescindível a compreensão dessas trajetórias, pois os Povos Indígenas do Brasil e da Bahia, sempre tiveram seus direitos negados por parte do Estado Nacional, apesar destes direitos estarem garantidos desde a Constituição de 1988, na Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional – Lei nº 9394/96, nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Conselho Nacional de Educação (Resolução 03/99 e resolução 05/2012) e; ainda, nas Resoluções emanadas do Conselhos Estaduais de Educação. Desta forma ao trabalharmos com a Educação Escolar Indígena, destacamos a luta histórica dos Povos Indígenas do Brasil e da Bahia em fazer valer o que estabelece as Leis de Educação.

Fotos Cleia Ascom Opará - UNEB/Paulo Afonso-BA

O OPARÁ de Paulo Afonso realiza encontro sobre Projeto Político Pedagógico Indígena na Ação Saberes Indígenas nas Escolas da Bahia

 

Por: Bruna Graziela Cordeiro dos Santos, Neide Targino, Jucimar Pereira,  Floriza Sena Fernandes

17/04/2017

 

As formações dos Saberes Indígenas são realizadas mensalmente na UNEB – Universidade do Estado da Bahia Campus VIII em Paulo Afonso/BA. Os encontros são momentos onde é possível refletir sobre a prática pedagógica, a militância necessária e a responsabilidades que cabe a cada indígena na formação intercultural de seu povo. O embasamento teórico deve ter seriedade ao lidar com as temáticas, principalmente no que cerne a história oral e os saberes tradicionais, esta seriedade tem reflexo na produção do material didático contextualizado. Esta formação objetivou tratar sobre o Projeto Político Pedagógico Indígena no entendimento contextualizado sobre as matrizes culturais, os conhecimentos ancestrais e as demandas sociais de cada povo.

 

A equipe facilitadora deste módulo foi composta por Neide Targino, Cristiane Oliveira, Rafael Truká, Rozilene Pankararé, Célia Tuxá, Cléia Tuxá. A coordenadora Floriza Sena apresentou aos novos participantes de 2017 as leis que regimentam a educação intercultural, de acordo com a portaria do MEC nº 1.062 de 30 de outubro de 2017. A mesma esclareceu pontos importantes como o gerenciamento dos recursos, as responsabilidades cabíveis a cada instituição envolvida - IF Porto Seguro (Instituição Federal de Porto Seguro), UNEB (Universidade do Estado da Bahia), SECADI/MEC (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação), por último foi destacado a importância de mobilizar todas as esferas de participantes dos Saberes Indígenas da Bahia para cobrar mais efetividade das instituições parceiras.

 

Fundamentação Teórica

 

A equipe trouxe diversos textos representativos do tema para fundamentar os conceitos, além de vídeos e apresentações em power point. Assim, tem-se:

 

Conceituação Teórica

Projeto Político Pedagógico da Educação Indígena

 

Na etimologia da palavra, projeto vem do latim projectu e significa lançar para adiante. Político refere-se ao compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade, enquanto que pedagógico diz respeito às ações educativas da escola no cumprimento dos seus propósitos e intencionalidades.

 

Segundo Veiga (2004, p. 37), “o Projeto Político Pedagógico é, em suma, um instrumento clarificador da ação educativa da escola em sua totalidade”. De posse dessa definição, entendemos o Projeto Político Pedagógico como um instrumento de gestão que possibilita o uso da autonomia da escola para considerar, na sua elaboração, a riqueza histórica, social, política e cultural do legado da comunidade a que pertence.

 

O Projeto Político Pedagógico Indígena constitui-se como um documento de fortalecimento e qualificação da Educação escolar indígena no âmbito da Educação Básica, com vistas à educação específica e diferenciada que possibilite a afirmação étnica e cultural.

 

O PPPEI é documento fundamental da escola na busca constante pela sua identidade, por isso o envolvimento de toda comunidade escolar faz-se primordial para que os objetivos sejam alcançados. Dessa maneira, o PPPI deverá ser construído por meio de reuniões pedagógicas e grupos de estudos com focos específicos para fundamentar e organizar as discussões realizadas nas reuniões, também deverá ser organizado uma agenda de trabalho.

 

O Projeto Político Pedagógico Indígena deve ser uma referência para o trabalho docente, por apontar as diretrizes que nortearão o processo de ensino-aprendizagem em nossa escola, por isso, ele precisa ser incorporado pelos profissionais como prática pedagógica.

 

De acordo com Perrelli (2015, p. 01), o conhecimento não está em algum lugar esperando ser descoberto, todo conhecimento é resposta a uma questão. Se não houver questão, não pode haver conhecimento. Neste artigo, ela enfoca que não só as ciências, mas também o ensino dos saberes produzidos por elas podem ser organizados a partir de problemas, ou seja, os conteúdos devem ser elaborados a partir da percepção da realidade, em eventos contextualizados.  

Fotos Ascom Opará - UNEB/Paulo Afonso-BA